Jardins, vinhas e mouros no trobar satírico galego-português

Autor:  Paulo Roberto Sodré

No discurso das cantigas de amor e de amigo, e mesmo nas cantigas marianas galego-portuguesas, produzidas entre os séculos XII e XIV na Península Ibérica, a imagem do jardim e seu variado campo semântico resultam previsíveis, uma vez que o tópico do locus amoenus é comum nesse tipo de poesia. Nas cantigas satíricas, no entanto, aquele espaço, onde plantas ornamentais ou nutritivas vicejam em versos jocosos, críticos e obscenos, adquire sentidos que merecem atenção. A partir de uma abordagem que leva em conta a tópica literária e a história social, este trabalho investiga as menções ao jardim e suas implicações nas cantigas satíricas de Pero Gomez Barroso, Roi Gomez de Briteiros e Estevam da Guarda, e procura demonstrar que a análise desses elementos desfaz, por um lado, uma das expectativas que eventualmente se poderia ter de sua leitura: de que os aspectos do locus amoenus amoroso passariam pelo tratamento da paródia, e aponta, por outro lado, que os detalhes paisagísticos revelam em sua literalidade ou em seu nível documental, marcas cotidianas voltadas para a habitação e a agricultura, mas funcionam, sobretudo, como imagens cujo significado aflora de modo burlesco e obsceno.

Mais informação / Additional Info

  • Title: Gardens, Vines andMoors in Galician-Portuguese Satire
  • Abstract: In Galician-Portuguese cantigas de amor, cantigas de amigo and cantigas de Santa Maria, produced in the 12th and 14th centuries, the image of garden and its semantic field are foreseeable, since the locus amoenus is very common in this kind of poetry. In the satiric cantigas, however, when ornamental or nutritious plants appear in burlesque, critical and obscene verses, that place introduces meanings that require critical attention. Therefore, this work looks -from a literary and socio-historical perspective- into references to the garden and its implications in the cantigas de escárnio e maldizer by Pero Gomez Barroso, Roi Gomez de Briteiros and Estevam da Guarda, which analysis demonstrates, by one side, that parody is not exactly the treatment troubadours
    gave to those elements, and, by the other, that the landscapes details reveal not only documental aspects ofhabitation and agriculture, but mostly images with burlesque and obscene meanings.
  • Tags: Medieval Literature Galician Portuguese Satire Medieval Garden Medieval Vines Medieval Moors
Modificado em Sexta, 05 Abril 2013 18:14

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ficha

Agália. Revista de Estudos na Cultura

ISSN: 1130-3557.
Depósito Legal: C-250 - 1985 (versão impressa)
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