Em A Teoria do Romance, livro paradigmático de Georg Lukács, o autor conclui que a forma narrativa romance pode ser lida como uma estória de heróis problemáticos, isto é, de indivíduos cujo interior estaria em conflito permanente com o espaço exterior, ou seja, com o mundo que os circunda. Para Georg Lukács, o herói problemático seria aquele que está em busca de valores autênticos em um mundo degradado, fator que faria de tal busca, também ela, degradada, vista a grande influência do espaço sobre a personagem. Partindo da teoria de Lukács, este artigo visa a ler o romance Os Maias, do escritor realista Eça de Queirós, apontando como os personagens dessa longa narrativa, ao tentarem contribuir para a reforma e para o  aprimoramento da sociedade de seu tempo — que eles consideravam deficiente em diversas esferas —, acabam por empreender uma busca de valores autênticos claramente marcada pela degradação e pela inautenticidade.

Públicado em AGÁLIA 103

 

Neste artigo, pretendo discutir o realismo literário e historiográfico, a partir das relações entre a Literatura e a História no romance A Ilustre Casa de Ramires (1897), de Eça de Queirós. Defendo a tese de que ao aproximar o narrador do romance e o narrador da História, Eça problematiza questões de verdade e subjetividade, bem como implicações da linguagem nos modos de se pensar e representar a realidade; ou seja, em que medida se pode transpor a realidade pluridimensional do mundo, para a realidade unidimensional que é a escrita? Essa perspectiva de leitura instaura uma virada ideológica no percurso queiroseano, sob a qual seu projeto literário não poderá mais ser lido segundo os ideais cartesianos de razão, verdade e objetividade, pertencentes a um realismo tout court, que a historiografia literária insiste em considerar. Tomo, portanto, como ponto de partida para a leitura do romance português, as teorias de Hutcheon (1991), Ricoeur (1994), White (1994) e Duby (1989), sobre as relações entre Literatura e História, e as teorias de Reis (1975), Real (2006) e Duarte (2004), sobre a postulação de um “último Eça”, mais eclético e liberto das imposições do Realismo/Naturalismo.

Públicado em AGÁLIA 101

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